Cultura

Sonora Brasil transforma Santarém em território de encontro e celebração cultural

Deborah Cabral Rabelo
Sesc em Santarém — Santarém
22 de junho de 2026
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Sonora Brasil transforma Santarém em território de encontro e celebração cultural

Grafismos tapajônicos que dialogam com os adinkras africanos, linguagens e culturas que ecoam e conversam. Reverberações Afro e Indígenas. O que séculos e milhares de quilômetros separaram, a cultura e a música unem. Foi sob essa atmosfera de encontro e pertencimento que Santarém se transformou, nos dias 19 e 20 de junho de 2026, em palco de uma celebração potente da diversidade cultural brasileira com o lançamento da 28ª edição do Sonora Brasil, projeto do Sesc que percorre o país valorizando as múltiplas sonoridades de seus territórios.

Com programação gratuita e intensa, o evento reuniu artistas indígenas, afro-brasileiros e grupos contemporâneos em apresentações que extrapolaram o palco, promovendo um verdadeiro intercâmbio de saberes, memórias e expressões. A abertura, realizada no Sesc em Santarém, contou com shows de Gean Ramos Pankararu e Suraras do Tapajós, enquanto a Praça Tiradentes recebeu, no dia seguinte, apresentações de Nderé Oblé e Cabokaji, além da artista local, DJ Pedrita, ocupando o espaço público com música e ancestralidade.

Mais do que apresentações musicais, o Sonora Brasil reafirmou seu papel como espaço de escuta e troca. A proposta da edição, “Reverberações Afro e Indígenas”, se materializou em cada ritmo, em cada canto e em cada narrativa compartilhada, conectando territórios e ampliando horizontes culturais. Ao longo do ano, o projeto seguirá por 42 cidades em 15 estados, com 130 apresentações e 30 ações formativas, fortalecendo essa rede de circulação e diálogo.

A Diretora Regional do Sesc no Pará, Heloíva Távora, destacou a importância do projeto como ferramenta de aproximação entre culturas:
“O Sonora Brasil reafirma o compromisso do Sesc em promover encontros que valorizam a diversidade e ampliam as escutas entre diferentes povos.” Já o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac no Pará, Sebastião de Oliveira Campos, ressaltou o impacto do evento para o público e para os artistas:
“É uma iniciativa que fortalece a cultura brasileira e cria pontes entre territórios, unindo tradição e contemporaneidade por meio da música.”

No palco, mas também nos bastidores e nas vivências compartilhadas, o encontro entre artistas e comunidades evidenciou o sentido mais profundo da proposta. Em sua passagem pelo território amazônico, o músico indígena Gean Ramos Pankararu sintetizou esse sentimento ao se conectar com o coletivo Suraras do Tapajós. “É uma alegria encontrar as Suraras de pé, resistindo, através da estrutura física da casa, mas também da estrutura ancestral, que é a memória”, disse. As Suraras do Tapajós são mulheres indígenas que transformam o carimbó em instrumento de resistência e afirmação.

Ao final de dois dias de intensa programação, ficou evidente que o lançamento do Sonora Brasil em Santarém não foi apenas um evento, mas um território simbólico de encontro. Um lugar onde passado e presente dialogam, onde tradição e experimentação coexistem e onde diferentes matrizes culturais se reconhecem e se fortalecem.

E é com esse espírito de continuidade que o projeto segue sua itinerância, levando consigo as reverberações vividas às margens do Tapajós para outros públicos e cidades. Como reforça Gean Ramos Pankararu: “Que bom que essa instituição que é o Sesc pensou nessa possibilidade. A nossa presença aqui é uma ocupação, uma demarcação de espaço que deve ser vista por todos”.

A próxima parada é Belém e o eco desse encontro já anuncia novos diálogos, novas escutas e novas conexões. Nos dias 24 a 26/06, a programação chega em Belém com ações no Sesc Casa da Música e Sesc Doca. 

 

O SONORA BRASIL 

Promovido desde 1998, o projeto traz como proposta a valorização, preservação e difusão do patrimônio cultural brasileiro, levando ao público programações musicais de alta qualidade e ampliando o conhecimento sobre a diversidade artística produzida em diferentes regiões do país. A nova edição reforça o compromisso do Sesc em promover encontros culturais capazes de ampliar escutas, aproximar mundos e fortalecer a multiplicidade de vozes que constituem o Brasil contemporâneo. 

 

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